terça-feira, 28 de novembro de 2017

Novas formas de pensar o mercado de seguros

Vivemos tempos de mudanças, em uma velocidade nunca antes vista: empresas, valores, países, costumes e tendências mudam quase instantaneamente e não é raro - ainda que involuntário - enxergarmos essas mudanças como ameaças ao nosso modo de vida, inclusive porque muitas delas realmente o são.

Ao mesmo tempo em que essas mudanças incomodam e, de certo modo, causam uma certa rejeição justamente por representarem a necessidade de mudança, exigindo esforço para que nos enquadremos e nos acostumemos, a preocupação de não se adequar a uma nova forma de agir e ficar obsoleto tira o sono de muitos empresários.

Em um mercado dinâmico e extremamente interligado com outras áreas, como o de seguros, os impactos dessas novidades se potencializam. Não é preciso grande exercício de imaginação para compreender os efeitos das novas relações que envolvem a constante evolução tecnológica: o novo tipo de transporte utilizado nas grandes cidades, fruto do uso de aplicativos de carona, tem ligação direta com a venda e uso do seguro de automóveis, já que não é raro encontrar quem, fazendo contas dos custos e benefícios, opte por deixar de ter veículo próprio e se valer apenas deste novo meio de locomoção. Menos veículos pessoais, menos apólice, menos comissão, menos prêmios e praticamente nenhuma arrecadação.

Buscando se adequar a essa nova realidade, o mercado de seguros tem esboçado reação, mas parece ainda sofrer com o peso da burocratização e do conservadorismo de todos os seus personagens.

Ao contratar um seguro de automóvel, por exemplo, é necessário preencher uma série de perguntas sobre o uso do veículo, o que exige do consumidor um tempo que ele não mais possui e que não se adequa ao ritmo dinâmico do mercado de serviços gerais. O preenchimento de questionários de perfil, nesse cenário, joga contra o próprio mercado. 

Se não bastasse, lidamos com uma legislação protecionista, que defende o consumidor em macro-escala e chega ao extremo, por vezes, de permitir que parte das respostas do segurado no questionário de perfil seja desconsiderada como fator de avaliação do pagamento de eventuais indenizações. 

É evidente que precisamos nos adaptar. 

Em tempos de incontestável evolução tecnológica em todas as frentes, com celulares inteligentes, computadores de bordo e compartilhamento de dados, as informações coletadas dos aparelhos dos segurados têm capacidade de avaliação e precificação de riscos infinitamente maior e mais precisa do que qualquer questionário de perfil.

Por meio de compartilhamento de localização  já é possível identificar em qual período o segurado se utiliza do veículo, onde o estaciona, suas rotas habituais e até mesmo calcular o limite de velocidade que costuma praticar. Esses dados, analisados em conjunto, permitem contabilizar os riscos a que se expõe o segurado e a sua forma de utilização do automóvel, o que gera uma avaliação mais segura acerca de suas necessidades ao contratar um seguro para seu veículo.  

O conjunto dessas informações é certamente mais valioso do que quaisquer respostas a perguntas padronizadas e organizadas em um questionário estático, que representa o risco apenas do momento do preenchimento e que não garante a precisão dos dados fornecidos. 

Não se ignora que muitos irão criticar as novas formas de se pensar no mercado de seguros, reconhecido por seu conservadorismo. Todavia, sempre há quem se disponha e enxergar novos caminhos e são esses que irão compor a discussão, tornando-a mais concreta e eficaz e dando início às mudanças que acompanharão o dinamismo da era tecnológica. Só assim é que se viabilizará a manutenção da área e o seu crescimento nesse novo cenário, mediante a distribuição do produto seguro e consequente aumento do número de segurados, apólices e prêmios, bem como diminuição das taxas, já que quanto mais pessoas seguradas, menor a contribuição de cada uma delas.

A capacidade de adaptação é uma das marcas de quem sobrevive na era das relações dinâmicas e somente o bom uso da tecnologia em nosso favor poderá permitir a manutenção do mercado de seguros que conhecemos: sólido e estável. É isso que propomos. 

Obs.: Este texto contou com a grande ajuda e impecável qualidade de redação da Dra. Marcely Ferreira, muito obrigado Dra. Marcely!

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