quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Você tomaria o remédio?


Você entra em uma clínica para passar com um médico, aguarda pacientemente e é chamado para entrar no consultório. Lá dentro, você se depara com um profissional de jaleco branco, com o tradicional simbolo da medicina bordado em verde no bolso, e um estetoscópio pendurado no pescoço. Ele pergunta como pode te ajudar e você explica sobre o que te levou a consultá-lo. Após ouvir atentamente ele se levanta e pede para examiná-lo. Exame realizado, ele pergunta se você tem algum tipo de alergia e prescreve um remédio que irá resolver suas dores, explica como usá-lo e estende a mão para lhe entregar a receita. Neste momento você percebe que o nome que está escrito na receita não é daquele profissional que te atendeu e, curioso, pergunta o motivo, que logo é respondido: "Ahh, não se preocupe, este é o nome do sócio aqui da clínica que é formado em Medicina, tudo que nós fazemos tem que levar o nome dele, porque nós não somos médicos, só sócios". Você tomaria o remédio e voltaria para o retorno da consulta?


O exemplo é absurdo e irreal, mas é isto que está acontecendo a todo momento no ramo de seguros, pois, diferente da medicina ou da advocacia, não é ilegal.

O assunto voltou à tona nos últimos dias depois de um corretor de seguros oferecer em sites de venda coletiva o "aluguel" de seu registro, ou seja, por um valor a ser combinado, este corretor se dispõe a integrar o quadro societário de uma empresa que irá vender seguros, porém não atuar ativamente na venda e intermediação junto aos clientes.

A operação não é ilegal pois a regra é que uma sociedade de corretores de seguros deve ter no mínimo um corretor de seguros como responsável técnico. Se é imoral ou antiética são conceitos subjetivos sobre os quais dificilmente chegaremos em um denominador comum.

A grande questão fica a cargo do próprio segurado que tem a liberdade de opção. O segurado é quem escolhe com qual corretora contratar seu seguro, e deve ficar atento se a pessoa na qual está confiando um contrato que irá proteger seus bens e sua família tem a experiência e conhecimentos necessários para isso.

Para se formar corretor de seguros e ter seu registro na SUSEP, o profissional se dedica a estudar todas as facetas que permeiam o contrato do seguro, desde sua abordagem comercial, implicações jurídicas, responsabilidades, exclusões e bens não cobertos, atos que podem gerar a perda da cobertura. procedimentos de sinistro, entre tantos outros temas que, quem não tem o registro não teve, obrigatoriamente, que estudar e ter seu conhecimento ser testado através de um exame.

Existem muitos profissionais que, mesmo sem ter o registro, acabam por ter mais conhecimento prático do que outros que tem a SUSEP, contudo, o mais importante é que o segurado saiba disso e contrate seu seguro consciente de que o profissional que está intermediando seu contrato não é um corretor de seguros e sim, sócios de um.

Se este segurado optar por continuar a contratar seus seguros com o sócio de um corretor de seguros, ele optou por aceitar o medicamento que o "médico" do exemplo no início do texto prescreveu. O mais importante é que foi a opção dele e, assim, ele se sente SEGURO. Você se sentiria?


5 comentários :

  1. Muito Bom!
    Conheço corretor que "assina" para mais de 5 empresas diferentes.

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  2. Não sejamos ingênuos, infelizmente tem gente para tudo neste mundo!
    Independentemente da idade, há pessoas que ainda acreditam em papai noel, coelhinho da páscoa e seguros piratas! Abraços

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  3. Uma verdade incondicional, triste é irremediável, lamento e rogo uma mudança radical e mais profissional possível. Corretor de seguros é responsável por muito mais do simplesmente seu patrimônio, ele é responsável pela perenidade de sua história de vida!

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  4. Excelente matéria. Realmente tem muitos casos conhecidos que a atuação dos "profissionais" e empresas sem a devida habilitação e registro continuam atuando livremente sem nenhum tipo de fiscalização.

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