sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Seguradora america paga indenização em 3 segundos

A americana Lemonade publicou nesta quinta feira que indenizou um sinistro em 3 segundos.

Segundo matéria publicada em seu próprio blog, a Lemonade conta, cheia de orgulho, que através de seu sistema de Inteligencia Artificial, conseguiu receber, analisar, concluir e enviar a ordem de pagamento à conta do cliente em um tempo nunca antes alcançado por qualquer outra empresa na história do seguro.

Em resumo, um segurado contratou uma apólice residencial e teve um casaco furtado no valor de U$ 925,00, acionou a seguradora através do seu aplicativo de smartphone, relatou o que ocorreu e seu prejuízo. Após três segundos, recebeu o retorno da seguradora, pelo próprio aplicativo, informando que o pagamento já havia sido enviada ao banco! A história completa você encontra aqui.

Para nós brasileiros, não é somente o recorde (que a empresa inclusive quer registrar no Guiness Book) que impressiona. O interessante é que a Lemonade não é uma seguradora tradicional e sim uma empresa colaborativa como o Uber ou o Airbnb. Isso significa que os segurados é quem arcam com as próprias indenizações através de uma poupança formada pelos prêmios arrecadados. Similar ao modelo ilegal de cooperativas de seguros aqui no Brasil.

Algumas outras características interessantes sobre o modelo da Lemonade que dão solidez à operação e distanciam da insegurança do que é oferecido pelas cooperativas no Brasil:

- Comissão fixa e divulgada da Lemonade de 20% (seguradora cobrando comissão? Sim, para gerenciar a reclamações e indenização)
- Resseguro para cobrir eventos que esgotem a poupança coletiva
- Devolução do valor excedente aos segurados caso a poupança não seja inteiramente usada para indenizações ao fim de um ano

Hoje, não existe amparo legal no Brasil para seguradoras deste modelo operarem, mas um sinistro indenizado em três segundos leva à uma reflexão inevitável: será que este modelo é tão ruim assim para riscos de menor complexidade?

Devemos duramente combater e penalizar aqueles que se valem da marginalidade às leis que regem o mercado de seguros para lucrar às custas de modelos insustentáveis de autoseguros, mas não devemos fechar os olhos para novos modelos como o da Lemonade e da alemã Friendsurance.

E mais importante, nós, Corretores de Seguros precisamos refletir sobre qual será nosso lugar neste novo ambiente, afinal, nós somos representantes e defensores do segurado e esta função é de extrema importância para o mercado. 

A tendência de qualquer produto ou serviço é simplificar para alcançar o maior número de consumidores possível e de modo eficaz, cabe a nós, estabelecer qual o limite que a tecnologia pode suprir o conhecimento e experiência de um profissional como o corretor de seguros e definir em que ponto o segurado poderá caminhar sozinho e em que ponto ele precisará de um corretor. Um tema complexo mas, pelo caminhar dos acontecimentos, inevitável.

Um feliz e cheio de realizações 2017 a todos que prestigiam os textos!



3 comentários :

  1. Thiago, muito bom seu artigo! Para mudarmos o cenário do seguro no Brasil, primeiro as seguradoras precisam perder esta soberba reinante, abrir mão da lucratividade exagerada e rápida, proporcionando aos Corretores de Seguros um dialogo sem preconceitos, aberto a investir em novas ideias e novos produtos.
    Infelizmente a cultura atual das seguradoras é de investir em retorno imediato.

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  2. Acredito na segurança de ter uma Seguradora nos meus negócios, mas podemos absorver algumas novidades expostas nesta matéria.
    Hoje e cada vez mais nós Corretores de Seguro estamos trabalhando para as Cias. Seguradoras e com as mesmas comissões.

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  3. Muito bom, mas apenas nos EUA existe uma realidade como essa,ate o nosso mercado se adaptar a esse nivel, temos muito trabalho!

    seguro de moto?
    www.seguroduasrodas.com

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