segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Seguro e felicidade

Contratar um seguro, qualquer que seja ele, sempre estará ligado à sensação de felicidade.

No primeiro momento esta afirmação pode causar estranheza pois o ato de contratar um seguro, não permite ao cliente a sensação física de usufruir aquilo que ele acabou de adquirir. Em outras palavras, seguro não é algo palpável como outros produtos e, diferente de um bem de consumo, como uma pizza, ou um sapato, o cliente não tem o prazer imediato de usar o produto que ele acabou de pagar quando contrata uma apólice de seguro.

A sensação é inversa àquela dos produtos mencionados, pois o corretor de seguros, após pegar a assinatura do cliente, não entrega nada além de promessas e algumas folhas de papel, muitas vezes indecifráveis.

Mas o cliente adquire o produto e, mesmo que ele não perceba, esta compra trouxe a sensação de felicidade. Não aquela felicidade de uma criança rasgando o embrulho do seu presente de natal, mas uma felicidade ligada ao fato de que ele conseguiu neutralizar maior angústia da vida adulta: o medo do incontrolável.

O medo do incontrolável é tão intenso que nosso cérebro cria mecanismos para nos sujeitar a imprudências que permitam vivermos normalmente. Se considerarmos todos os risco que envolvem dirigir um carro, ou mesmo sair na rua, simplesmente não viveríamos. Por esta razão que é comum vermos pessoas se sentirem imunes às intempéries do dia a dia, afirmando que o carro delas nunca será roubado, que a empresa delas nunca sofrerá um incêndio ou que elas nunca ficarão inválidas. Os riscos existem, essa sensação é apenas um mecanismo de defesa para que possamos viver em paz.

Porém, quando um desses eventos realmente acontece, aquele indivíduo que antes sentia-se protegido pelo acaso é tomado de um sentimento de abandono, transformando sua falta de percepção ao risco em uma extrema sensibilidade aos perigos que o rodeiam. Que atire a primeira pedra que nunca fez, ou soube de alguém que fez, um seguro residencial porque o vizinho foi assaltado?

Neste sentimento de abandono e vulnerabilidade é que se instala uma das patologias mais comuns e preocupantes de nossa época, a ansiedade. Pessoas que se preocupam muito em controlar os riscos de sua vida, acabam se deparando com circunstâncias que não podem ser plenamente dominadas, gerando um sofrimento pela impotência de controlar o imprevisível.

Para completar essa lacuna impossível de ser preenchida somente com precaução e controle de riscos, é que atua o corretor de seguros. O seguro existe onde o homem não é capaz de atuar, ele garante que um evento que não era possível de evitar não venha a destruir as finanças de uma família ou quebrar uma empresa.

Com uma apólice bem dimensionada o segurado consegue controlar as consequências do inevitável. Ao contratar o seguro aquele indivíduo não se sente mais vulnerável aos riscos inerentes a vida, transformando a sensação de impotência em segurança e tranquilidade. 

Neste momento é que o seguro se relaciona com a felicidade. Veja que muitas pessoas definem sua felicidade como ter uma boa casa para morar, um belo emprego e uma conta recheada no banco, todos fatores relacionados à segurança e conforto.

Quando o seguro garante a segurança e o conforto de uma pessoa, ou uma empresa, ele contribui de forma fundamental para sua felicidade, retirando de sua vida a preocupação e o medo.

É bem verdade que nem todos estão cientes dos riscos que os rodeiam e esse é o papel do Corretor de Seguros, alertar e auxiliar o cliente a se proteger de todos os riscos possíveis, analisando, dimensionando e atuando junto aos segurados para que, enfim, sintam-se SEGUROS!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Você tomaria o remédio?


Você entra em uma clínica para passar com um médico, aguarda pacientemente e é chamado para entrar no consultório. Lá dentro, você se depara com um profissional de jaleco branco, com o tradicional simbolo da medicina bordado em verde no bolso, e um estetoscópio pendurado no pescoço. Ele pergunta como pode te ajudar e você explica sobre o que te levou a consultá-lo. Após ouvir atentamente ele se levanta e pede para examiná-lo. Exame realizado, ele pergunta se você tem algum tipo de alergia e prescreve um remédio que irá resolver suas dores, explica como usá-lo e estende a mão para lhe entregar a receita. Neste momento você percebe que o nome que está escrito na receita não é daquele profissional que te atendeu e, curioso, pergunta o motivo, que logo é respondido: "Ahh, não se preocupe, este é o nome do sócio aqui da clínica que é formado em Medicina, tudo que nós fazemos tem que levar o nome dele, porque nós não somos médicos, só sócios". Você tomaria o remédio e voltaria para o retorno da consulta?


O exemplo é absurdo e irreal, mas é isto que está acontecendo a todo momento no ramo de seguros, pois, diferente da medicina ou da advocacia, não é ilegal.

O assunto voltou à tona nos últimos dias depois de um corretor de seguros oferecer em sites de venda coletiva o "aluguel" de seu registro, ou seja, por um valor a ser combinado, este corretor se dispõe a integrar o quadro societário de uma empresa que irá vender seguros, porém não atuar ativamente na venda e intermediação junto aos clientes.

A operação não é ilegal pois a regra é que uma sociedade de corretores de seguros deve ter no mínimo um corretor de seguros como responsável técnico. Se é imoral ou antiética são conceitos subjetivos sobre os quais dificilmente chegaremos em um denominador comum.

A grande questão fica a cargo do próprio segurado que tem a liberdade de opção. O segurado é quem escolhe com qual corretora contratar seu seguro, e deve ficar atento se a pessoa na qual está confiando um contrato que irá proteger seus bens e sua família tem a experiência e conhecimentos necessários para isso.

Para se formar corretor de seguros e ter seu registro na SUSEP, o profissional se dedica a estudar todas as facetas que permeiam o contrato do seguro, desde sua abordagem comercial, implicações jurídicas, responsabilidades, exclusões e bens não cobertos, atos que podem gerar a perda da cobertura. procedimentos de sinistro, entre tantos outros temas que, quem não tem o registro não teve, obrigatoriamente, que estudar e ter seu conhecimento ser testado através de um exame.

Existem muitos profissionais que, mesmo sem ter o registro, acabam por ter mais conhecimento prático do que outros que tem a SUSEP, contudo, o mais importante é que o segurado saiba disso e contrate seu seguro consciente de que o profissional que está intermediando seu contrato não é um corretor de seguros e sim, sócios de um.

Se este segurado optar por continuar a contratar seus seguros com o sócio de um corretor de seguros, ele optou por aceitar o medicamento que o "médico" do exemplo no início do texto prescreveu. O mais importante é que foi a opção dele e, assim, ele se sente SEGURO. Você se sentiria?


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Seguradora america paga indenização em 3 segundos

A americana Lemonade publicou nesta quinta feira que indenizou um sinistro em 3 segundos.

Segundo matéria publicada em seu próprio blog, a Lemonade conta, cheia de orgulho, que através de seu sistema de Inteligencia Artificial, conseguiu receber, analisar, concluir e enviar a ordem de pagamento à conta do cliente em um tempo nunca antes alcançado por qualquer outra empresa na história do seguro.

Em resumo, um segurado contratou uma apólice residencial e teve um casaco furtado no valor de U$ 925,00, acionou a seguradora através do seu aplicativo de smartphone, relatou o que ocorreu e seu prejuízo. Após três segundos, recebeu o retorno da seguradora, pelo próprio aplicativo, informando que o pagamento já havia sido enviada ao banco! A história completa você encontra aqui.

Para nós brasileiros, não é somente o recorde (que a empresa inclusive quer registrar no Guiness Book) que impressiona. O interessante é que a Lemonade não é uma seguradora tradicional e sim uma empresa colaborativa como o Uber ou o Airbnb. Isso significa que os segurados é quem arcam com as próprias indenizações através de uma poupança formada pelos prêmios arrecadados. Similar ao modelo ilegal de cooperativas de seguros aqui no Brasil.

Algumas outras características interessantes sobre o modelo da Lemonade que dão solidez à operação e distanciam da insegurança do que é oferecido pelas cooperativas no Brasil:

- Comissão fixa e divulgada da Lemonade de 20% (seguradora cobrando comissão? Sim, para gerenciar a reclamações e indenização)
- Resseguro para cobrir eventos que esgotem a poupança coletiva
- Devolução do valor excedente aos segurados caso a poupança não seja inteiramente usada para indenizações ao fim de um ano

Hoje, não existe amparo legal no Brasil para seguradoras deste modelo operarem, mas um sinistro indenizado em três segundos leva à uma reflexão inevitável: será que este modelo é tão ruim assim para riscos de menor complexidade?

Devemos duramente combater e penalizar aqueles que se valem da marginalidade às leis que regem o mercado de seguros para lucrar às custas de modelos insustentáveis de autoseguros, mas não devemos fechar os olhos para novos modelos como o da Lemonade e da alemã Friendsurance.

E mais importante, nós, Corretores de Seguros precisamos refletir sobre qual será nosso lugar neste novo ambiente, afinal, nós somos representantes e defensores do segurado e esta função é de extrema importância para o mercado. 

A tendência de qualquer produto ou serviço é simplificar para alcançar o maior número de consumidores possível e de modo eficaz, cabe a nós, estabelecer qual o limite que a tecnologia pode suprir o conhecimento e experiência de um profissional como o corretor de seguros e definir em que ponto o segurado poderá caminhar sozinho e em que ponto ele precisará de um corretor. Um tema complexo mas, pelo caminhar dos acontecimentos, inevitável.

Um feliz e cheio de realizações 2017 a todos que prestigiam os textos!