segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Fazer seguro online?

Faça seu seguro no banco ou online! Você não precisa de um corretor, afinal, agora é tudo digital, não é mesmo?

Será simples assim?

A era digital, ou da informação, chegou em definitivo para o mercado de seguros e a intensidade com que a Youse e outras empresas tem atacado os usuários de redes sociais não deixa dúvidas de que existe muito investimento e expectativa das empresas que apostam nesta nova forma de contratação de seguros.

Fato é que a contratação online de seguros não é novidade, corretores de seguros já estão mais que habituados a contratar, cancelar, alterar e resolver qualquer tipo de pendência online. A grande maioria das seguradoras disponibiliza sistemas de interação online capazes de suprir quase todas as tarefas que antes eram realizadas por pessoas.

Uma consequência desta revolução é o esvaziamento ou fechamento dos escritórios comerciais das seguradoras fora das matrizes. Com o trabalho burocrático sendo realizado pelos computadores e de modo online, não há mais necessidade de manter uma equipe muito grande nos escritórios regionais e, os que ainda mantém, se limitam à gerentes comerciais e uma ou poucas atendentes.

A venda de seguros online não é nenhuma novidade e nenhum bicho de sete cabeças, pelo contrário, é uma ferramenta de otimização revolucionária do mercado.

O problema é a corretagem de seguros online.

Quem vende seguro é seguradora, os corretores de seguros vendem a corretagem. Fazer a corretagem não envolve só vender o seguro, aliás, somente depois de uma boa corretagem é que se vende um seguro! Corretagem é estar disponível para atender o segurado, é ter conhecimento e instrumentos técnicos para identificar o risco, é ter a sua disposição uma lista de coberturas que podem ser importantes para o cliente, é ter experiência para lembrar de casos similares ao do segurado e propor um modelo de proteção que não o deixe vulnerável, é ter passado por vários processos de sinistro e saber quais a formas de torná-lo mais rápido e agradável ao segurado.

Brigar com a evolução é uma luta inglória e certamente o modelo digital irá encontrar um formato que atenda de modo efetivo o cliente, mas será que já chegamos nesse ponto?

O que se tem notado são atendentes muito simpáticos e irreverentes, negociando com segurados através das redes sociais com um raso conhecimento sobre seguros, se valendo de pesquisas nas condições gerais para esclarecer dúvidas.

O segurado, muitas vezes, não precisa de uma pesquisa nas condições gerais, ele precisa que alguém, tenha a delicadeza de perguntar se ele viaja longas distâncias com o carro e lhe ofereça um limite de guincho maior. 

O segurado não precisa de alguém que simplesmente lhe ofereça um seguro contra terceiros maior, ele precisa de alguém que conte uma história de outro segurado que se envolveu em um acidente e acabou tendo que indenizar um veículo de alto valor de um terceiro. 

O segurado não precisa de alguém lhe dizendo que seu processo de sinistro encontra-se em análise, ele precisa de alguém que lhe antecipe quais os próximos passos, quais os documentos podem ou não ser solicitados e quanto tem demorado a análise de sinistros como os dele.

O segurado precisa sim, de uma abordagem online e prática, mas, para ser plenamente atendido, ele ainda precisa de um CORRETOR DE SEGUROS.


10 comentários :

  1. Ótimo texto. Pena que os novos segurados gerações xyz não veja a função do profissional.

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  2. Bom texto, temos que cuidar com "memes" que andam circulando na Internet, como o de que segurados das gerações xyz não vejam função no profissional. Tem video com jeito amador feito "sob encomenda" por players desse mercado que querem vender essa ideia.

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  3. O segurado também precisa de alguém com interesse genuíno em sua pessoa. Quando o Segurado liga para o o Corretor no momento do sinistro, e assustado, recebe a atenção necessária para se acalmar, sabendo que alguém que o conhece pessoalmente e sinteressa por ele, estará cuidando do assunto.

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  4. O segurado também precisa de alguém com interesse genuíno em sua pessoa. Quando o Segurado liga para o o Corretor no momento do sinistro, e assustado, recebe a atenção necessária para se acalmar, sabendo que alguém que o conhece pessoalmente e sinteressa por ele, estará cuidando do assunto.

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  5. Excelente o texto, trabalho com marketing digital para corretores e de todas as estratégias disponíveis no mercado, sempre foquei na importancia do corretor na negociação.

    Mesmo que haja um inicio de relacionamento online, esse apoio é fundamental.

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Excelente texto! A exemplo da Youse, o superintendente da Susep, Joaquim Mendanha, afirmou, nesta sexta-feira (07/10), que a Youse Seguradora não está “autorizada a operar”. Segundo ele, o processo de autorização ainda está sob análise na autarquia. “Já comunicamos aos responsáveis pela empresa que há uma situação irregular”, revelou Mendanha, durante entrevista coletiva para a imprensa, no XVII CONEC. Ele disse ainda que a Susep já recebeu três denúncias contra a Youse Seguradora, sendo duas encaminhadas pela Fenacor e a terceira, pelo Sincor-SP, todas apontando para a “gravidade do assunto”. Obvio que a comercialização online, acompanhamento do passo a passo pelo cliente, seja por sms, torpedos e etc, é uma tendência imperativa no mercado, porém um bom "pós venda" com atendimento personalizado e confiável nunca será dispensável.

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  8. Este comentário foi removido pelo autor.

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  9. Ótimo texto Thiago. Muito bom para ampliar o debate sobre contratação on line de Seguros. Vejo essa questão como sem volta, porém, quem tem que dar o norte são os próprios Corretores. Se os consumidores da geração xyz pedem por um relacionamento mais "on" do que "off", cabe ao Corretor se fazer presente e agregar valor ao seu modo de atuar.

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