terça-feira, 28 de junho de 2016

Prepare-se! O Uber dos seguros está chegando.


A economia compartilhada (compartilhamento de recursos que estão sendo inutilizados) tem sido tema de discussões acaloradas em diversas áreas. Usuário de aplicativos como o Uber ou o Airbnb defendem que a qualidade no atendimento é melhor e os custos menores. Já os profissionais como taxistas e donos de hotéis, retrucam dizendo que não há segurança nem regulamentação no serviço prestado por estas empresas. Fato é que a economia compartilhada está avançando em todas as áreas, inclusive na venda de seguros.

No último Swiss Re's Sonar, relatório da resseguradora apontando os principais riscos para o mercado nos próximos anos, a legalidade e precificação de riscos relativos a economia compartilhada já são considerados médios e cita-se que as seguradoras estão enfrentando problemas para taxar os riscos, por exemplo, de um carro Uber.

Regulamentada ou não, o fato é que a economia compartilhada já é uma realidade no nosso ramo.

No Reino Unido uma empresa chamada Guevara emitiu nada menos que R$ 493.0000,00 em prêmios, pasmem, nas primeiras 24 horas de operação de vendas do seguro baseado em economia compartilhada (Fonte: Revista RiskSA). Outras empresas também já trabalham neste conceito como a alemã Friendsurance e a americana Lemonade.

Por mais dinâmica que seja, a economia compartilhada no ramo de seguros tendo surgido de maneira parecida: um grupo de pessoas "pagam" um valor de seguro que contém: uma parte para um reserva do grupo, uma parte para uma apólice à segundo risco e uma parte para o organizador. Sendo que o resultado da reserva financeira, se positivo, reverte aos participantes.
Fonte: Friendsurance

No caso da alemã Friendsurance, empresa que é uma corretora de seguros, eles agravam a franquia das apólices, gerando uma economia no prêmio. Essa economia é o que irá compor a reserva compartilhada. Esta reserva será utilizada durante o ano para indenizar pequenos sinistros. O que sobra, é dividido entre os participantes todo mês de Janeiro. Já os grande sinistros são indenizados pelas apólices com franquia agravada e, caso a reserva acabe, a Friendsurance tem um contrato de Credit Swap que repões o valor faltante.

Segundo as próprias empresas, este modelo tem gerado a satisfação dos segurados pois, além de ter parte de seu dinheiro de volta, o compartilhamento da reserva comum incentiva a preservação do risco, em termos práticos, os integrantes do grupo tomam mais cuidado para não terem sinistro.

Outra vantagem deste sistema é que o grupo pode discutir exatamente a extensão da cobertura desejada, excluindo aquele serviços que não tem interesse, como assistência à residência, carro extra, entre outros.

Neste momento sei que muitos estão pensando que a proposta se aproxima muito com a das cooperativas ou associações de proteção veicular. Não se trata aqui viabilizar este tipo de operação que, no Brasil, é ilegal, tem deixado muito segurado a ver navios e deve ser combatida pelos órgãos de fiscalização. Mas como já foi mencionado em postagens anteriores, até a SUSEP já mencionou a economia compartilhada, ela é uma realidade e devemos nos preparar, pois podemos nos depara no futuro com uma regulamentação que permita este tipo de operação, como é o projeto de lei 4.844 de 2012.

A grande barreira hoje é a legislação e sobre as dificuldades referente a regulamentação, respondeu a Friendsurance: "É claro que existem desafios atuariais e regulatórios. Porém isso é normal e simplesmente algo que temos que superar. O que é crucial é respirar fundo e paciência."

E como fica o corretor? Não sei. Mas na nossa profissão sabemos que pior que não saber a solução para um risco iminente, é desconhecê-lo.

Devemos estar preparados para a chegada deste modelo no Brasil, como será a regulamentação deste tipo de operação? O corretor poderá gerir este modelo? A seguradora poderá comercializá-lo diretamente? Será que a SUSEP já está estudando este tema? É importante buscar a informação e nos prepapar para não sermos pegos de surpresa.

3 comentários :