quinta-feira, 30 de junho de 2016

Até breve, pai...


Por ser ainda um jovem no mercado de seguros, tive o prazer de conhecer e de ser "adotado" por grandes mestres do nosso ramo, mas certamente umas das maiores honras que pude ter na minha vida foi ser chamado de filho pelo mestre Plínio Rizzi. Com seu incondicional sorriso e sua tradicional gravata borboleta, Plínio nos ensinou que, mesmo com todas os infortúnios, devemos enfrentar a vida com a alegria e o entusiasmo de uma criança.

Nos ensinou que a busca pelo conhecimento deve ser constante e profunda e que não devemos nos contentar com respostas vagas e superficiais. Que devemos tratar a todos exatamente da mesma maneira e sempre com muito entusiasmo. 


Quem já ouviu alguma palestra do nosso querido professor sabe que sua didática e simpatia prendia seus ouvintes por horas a fio sem se cansarem. Era um prazer ouvir as aulas de Plínio, seja sobre e mercado de seguros, direito ou até sobre a história alemã.

Plínio foi um ser humano especial que não merecia nosso mundo, que estava acima da nossa evolução espiritual e que nos brindou com lições que nunca esqueceremos.

Obrigado pelas lições e até breve, pai. 

terça-feira, 28 de junho de 2016

Prepare-se! O Uber dos seguros está chegando.


A economia compartilhada (compartilhamento de recursos que estão sendo inutilizados) tem sido tema de discussões acaloradas em diversas áreas. Usuário de aplicativos como o Uber ou o Airbnb defendem que a qualidade no atendimento é melhor e os custos menores. Já os profissionais como taxistas e donos de hotéis, retrucam dizendo que não há segurança nem regulamentação no serviço prestado por estas empresas. Fato é que a economia compartilhada está avançando em todas as áreas, inclusive na venda de seguros.

No último Swiss Re's Sonar, relatório da resseguradora apontando os principais riscos para o mercado nos próximos anos, a legalidade e precificação de riscos relativos a economia compartilhada já são considerados médios e cita-se que as seguradoras estão enfrentando problemas para taxar os riscos, por exemplo, de um carro Uber.

Regulamentada ou não, o fato é que a economia compartilhada já é uma realidade no nosso ramo.

No Reino Unido uma empresa chamada Guevara emitiu nada menos que R$ 493.0000,00 em prêmios, pasmem, nas primeiras 24 horas de operação de vendas do seguro baseado em economia compartilhada (Fonte: Revista RiskSA). Outras empresas também já trabalham neste conceito como a alemã Friendsurance e a americana Lemonade.

Por mais dinâmica que seja, a economia compartilhada no ramo de seguros tendo surgido de maneira parecida: um grupo de pessoas "pagam" um valor de seguro que contém: uma parte para um reserva do grupo, uma parte para uma apólice à segundo risco e uma parte para o organizador. Sendo que o resultado da reserva financeira, se positivo, reverte aos participantes.
Fonte: Friendsurance

No caso da alemã Friendsurance, empresa que é uma corretora de seguros, eles agravam a franquia das apólices, gerando uma economia no prêmio. Essa economia é o que irá compor a reserva compartilhada. Esta reserva será utilizada durante o ano para indenizar pequenos sinistros. O que sobra, é dividido entre os participantes todo mês de Janeiro. Já os grande sinistros são indenizados pelas apólices com franquia agravada e, caso a reserva acabe, a Friendsurance tem um contrato de Credit Swap que repões o valor faltante.

Segundo as próprias empresas, este modelo tem gerado a satisfação dos segurados pois, além de ter parte de seu dinheiro de volta, o compartilhamento da reserva comum incentiva a preservação do risco, em termos práticos, os integrantes do grupo tomam mais cuidado para não terem sinistro.

Outra vantagem deste sistema é que o grupo pode discutir exatamente a extensão da cobertura desejada, excluindo aquele serviços que não tem interesse, como assistência à residência, carro extra, entre outros.

Neste momento sei que muitos estão pensando que a proposta se aproxima muito com a das cooperativas ou associações de proteção veicular. Não se trata aqui viabilizar este tipo de operação que, no Brasil, é ilegal, tem deixado muito segurado a ver navios e deve ser combatida pelos órgãos de fiscalização. Mas como já foi mencionado em postagens anteriores, até a SUSEP já mencionou a economia compartilhada, ela é uma realidade e devemos nos preparar, pois podemos nos depara no futuro com uma regulamentação que permita este tipo de operação, como é o projeto de lei 4.844 de 2012.

A grande barreira hoje é a legislação e sobre as dificuldades referente a regulamentação, respondeu a Friendsurance: "É claro que existem desafios atuariais e regulatórios. Porém isso é normal e simplesmente algo que temos que superar. O que é crucial é respirar fundo e paciência."

E como fica o corretor? Não sei. Mas na nossa profissão sabemos que pior que não saber a solução para um risco iminente, é desconhecê-lo.

Devemos estar preparados para a chegada deste modelo no Brasil, como será a regulamentação deste tipo de operação? O corretor poderá gerir este modelo? A seguradora poderá comercializá-lo diretamente? Será que a SUSEP já está estudando este tema? É importante buscar a informação e nos prepapar para não sermos pegos de surpresa.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Lei das associações de seguro avança na Câmara

No último dia 16/06 o Projeto de Lei 4.844/2012 deu mais um passo rumo à sua votação pelos parlamentares e foi aprovado pela Comissão de Finanças e Tributação.

De forma simplificada, trata-se de projeto que altera o Código Civil com o objetivo de permitir que transportadores de pessoas e cargas organizem-se em associações e façam gestão de recursos próprios destinados a reparar danos aos seus veículos.

O parecer da Comissão de Finanças e Tributação foi pela aprovação do projeto, fundamentando não haver "implicação da matéria em aumento ou diminuição da receita ou da despesa públicas" Dep. Benito Gama. O projeto agora segue para apreciação da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.
O parecer da comissão foi simples e lógico: não afetando diretamente o orçamento do governo, não cabe àquela comissão se opor ao projeto.

Mas o parecer foi o menos importante, foi realizada audiência pública com representantes de diversas entidades do mercado onde destaco alguns trechos.

No início de sua exposição o Sr. Roberto Westenberger, Superintendente da SUSEP, cita o termo "fundos de compartilhamento de risco". Já existe movimento fora do Brasil, inclusive com empresas abertas e regulamentadas, que permitem aos seus clientes criar um grupo e fazer a autogestão de um fundo de reparação de prejuízos aos seus veículos, porém amparados por uma apólice a segundo risco para grandes sinistros. Este tema será abordado com mais profundidade em um próximo texto que já está sendo elaborado, porém a menção do superintendente a esta forma de compartilhamento já é muito interessante pois traz ao nosso mercado um novo conceito.


Outra fala muito interessante foi a do Sr. Luiz Carlos Neves, presidente da Federação Nacional das Associações de Caminhoneiros e Transportadores que cita o baixíssimo número de caminhões segurados, frente à frota nacional (menos de 5% do total de veículos). Sendo que o principal modal logístico brasileiro hoje é o rodoviário.


Posicionamentos à parte, pode-se resumir das exposições feitas na audiência pública que:

- Existem dois tipos de associações de "fundos de compartilhamento de risco", aquelas que realmente tem a intenção de proteger seu associado e outra que deseja auferir lucro ou mesmo fraudar seus membros. Sendo que a gestão de seguro por ambas é ilegal;

- Em sua grande maioria o pequeno e médio transportador precisa mas não tem acesso à seguro devido ao alto custo; 

- Tudo leva a crer que a inclinação dos participantes da audiência pública é pela regulamentação da matéria, possibilitando a gestão desses fundos pelas associações.

O momento é delicado. Não se pode negar a falta de acesso ao seguro de veículos de carga pois, feitos individualmente, os custos realmente são altos. Mas não se pode permitir que um fundo que absorva riscos seja gerido sem um aparato atuarial que possibilite o amparo, sob qualquer circunstancia, de seu participante.

Por mais sucesso que tenham as associações durante algum tempo, como se comportariam em um sinistro de grandes proporções que extrapolasse suas capacidades?

O corretor de seguros tem muito à contribuir com este debate, podendo, e devendo, ficar atento a tramitação do PL 4844/2012, debatendo e participando ativamente, de forma individual ou pelas suas entidades de classe, de todo o processo de tramitação do projeto.

Pelo exercício da profissão, o corretor tem uma enorme habilidade em mediar conflitos e encontrar soluções, talvez seja essa a principal contribuição que temos ao debate. Como fazemos com nossos segurados, devemos abrir o diálogo e ouvir, com muita atenção, aos problemas que enfrentam os envolvidos.

O consumidor confia no corretor de seguros e porque não usar essa confiança para integrar o debate e ajudar a achar uma solução, legal e viável?


quarta-feira, 15 de junho de 2016

A maior mentira que os segurados contam

Muitos corretores, se não todos, já ouviram de um cliente a seguinte frase: "Pago seguro há muitos anos e nunca usei!"

Esta é, de longe, a maior mentira que os segurados contam para seus corretores e, principalmente, para eles mesmos.

Todos aqueles que adquirem qualquer produto do ramo de seguros o usa todos os dias!

Direitos autorais: dolgachov / 123RF Imagens
Usar o seguro não significa receber indenização, usar o seguro significa ter a garantia de que sua estabilidade financeira está protegida. Usar o seguro é saber que aquele sonho, construído com muito suor e esforço não irá lhe escapar por entre os dedos. Usar o seguro é ter paz. Seguro não é indenização, seguro é tranquilidade.

Ter um seguro significa que você pode buscar bens maiores do que sua capacidade de absorver prejuízo. Simplificando, sem um seguro você não conseguiria ter o que você tem, ou pior, você poderia ter um bem, perdê-lo e ainda ficar com um talão de boletos para pagar.

O seguro possibilita que você entre em uma concessionária, compre um carro financiado e saia de lá sem medo de que na próxima esquina seu carro seja roubado, ou sofra uma colisão.

Ter um seguro significa que uma instituição bancária permita que você compre um imóvel ,que você não teria patrimônio pra comprar sozinho, e parcele seu pagamento.

Para os empresários, ter um seguro significa poder investir na expansão do seu negócio, sem o risco de ter que arcar com o prejuízo caso alguma acidente ocorra no meio do caminho.

Uma boa cobertura securitária permite que um transportador assuma o risco de entregar, na porta da sua casa, aquela encomenda que você pediu pela internet.

Isso tudo sem receber um centavo de indenização.

E para testar se você têm usado o seguro durante todos esses anos é simples: deixe de fazê-lo.

Sem o seguro do seu carro uma viagem pode se tornar um risco enorme. Pensamentos como: será que terei como consertar meu carro caso alguém bata nele? Será que essa pessoa assumirá o risco? Será que a rodovia possui um serviço adequado de assistência caso meu carro sofra uma pane? Será que eles me trarão até em casa? E minha família, terei que colocar em um taxi? Quanto custará esse taxi? 

E uma visita à um amigo para jantar, será que você usa o seguro nesta ocasião? Se você não renovar seu seguro será que você ficará tranquilo deixando seu carro na rua? E se a rua for mal iluminada, seu jantar será agradável e descontraído ou você terá que ir checar na janela a cada dez minutos se seu carro ainda está lá?

Se você achou que são pensamentos que não passam pela sua cabeça, é por uma única razão, hoje você tem um bom seguro e não precisa se preocupar com isso pois sua cabeça já acostumou a contar com essa proteção.

Seguro não é um mal necessário, seguro é tranquilidade.


quarta-feira, 8 de junho de 2016

Corretor de Seguros, o agente da desgraça. Graças a Deus!



Eu me pergunto em que momento o corretor de seguros adquiriu esta imagem de agente da desgraça? Muitas pessoas se referem à profissão como aquela que lucra com o azar alheio, como aquele profissional que sempre pensa no trágico. Não que isso seja mentira, mas ainda bem que o corretor de seguros faz isso!

Muitos corretores já ligaram para um cliente e receberam como resposta um "Ah não, já tenho que renovar?", mas será que estes clientes sabem da importância daquela ligação? E pior, será que os corretores tem consciência da função social que exercem.

Na busca implacável pelo melhor preço, o corretor de seguros se esquece que ele protege o bem mais importante de uma pessoa, seu futuro. Eu aposto que ninguém ao acordar de manhã se programa para bater o carro, ou melhor, eu tenho certeza que a maioria esmagadora de empresários não planeja, durante a elaboração do seu plano de negócios, um incêndio em seu estabelecimento, ou uma ação judicial que lhe custe anos de faturamento.

Este empresário planeja o lucro, o lançamento de produtos e a expansão de suas unidades. Um incêndio pode prolongar, e muito, que este empresário alcance seus objetivos. Mas existe uma pessoa que pode ajudar neste momento, na hora em que o empresário vê ruir todo o patrimônio que lhe custou uma vida: seu corretor de seguros.

Um seguro bem elaborado deve ser um dos principais pilares da construção de uma empresa, é o que sustentará os sonhos daquele empresário quando uma tragédia acontecer. Um seguro bem feito, não protegerá somente o empresário mas também seus colaboradores, a família dos seus colaboradores, seus clientes, seus fornecedores, pois como ficarão estas pessoas caso, do dia para a noite, a empresa vire cinzas?

Pensando que o valor das coisas está no tamanho do problema que elas podem resolver, será que um incêndio é um problema grande o suficiente para o empresário? 

A Associação de Genebra, em seu boletim anual de 2014, divulgou que "Os custos estimados com as perdas decorrentes de incêndios são de, aproximadamente, 1% do PIB global", se compararmos este percentual podemos perceber que nações com grande aparato militar, como o Japão, gastam 1% do seu PIB com despesas militares. Será que, a defesa militar é um problema grande o suficiente para o Japão como um incêndio deve ser para um empresário?

Trends in world military expenditure, 2014
Sam Perlo-Freeman,
Aude Fleurant, Pieter D. Wezeman and Siemon T. Wezeman
SIPRI
Fact Sheet

O corretor de seguros quando sai de sua corretora, vai até um cliente e oferece uma solução para um risco que aquele empresário possui está falando em nome do próprio empresário, ele está defendendo os interesses do próprio segurado, ele está garantindo que, caso ocorra uma tragédia, o maior sonho daquele empresário e até sua própria subsistência não vá por água abaixo, ele está garantindo que cada família de cada colaborador daquele empresário continue a ter renda após um sinistro. Será que isso não é importante?

O corretor de seguros precisa trazer para o radar de riscos do empresário a tragédia, precisa fazer com que o empresário perceba a fragilidade do seu negócio diante de algo que ele pode controlar.

Quando este empresário conseguir imaginar a cena de sua empresa pegando fogo, e sentir a tranquilidade de que, ainda com todos os problemas que um evento como este possa acarretar, o seu corretor de seguros conseguiu protegê-lo financeiramente, ele vai perceber a importância que tem uma apólice bem feita, o valor que tem uma boa corretagem de seguros e o papel essencial que possui o seu corretor de seguros.

O corretor tem que se orgulhar, e muito, do número de pessoas que ele ajuda, o corretor de seguros é sim, o agente da desgraça, da desgraça futura e incerta, e ainda bem que ele é.

Seu cliente precisa de um seguro que nem existe no Brasil

Imagine um mercado sem dados estatísticos de longo prazo, sem uma variedade de produtos disponíveis, com uma demanda de importâncias seguradas de até dois bilhões de dólares, com um crescimento exponencial, com carência de profissionais e regulação, e que sequer tem um nome no Brasil. Este é o mercado de riscos virtuais, ou cibernéticos, ou de informática. Em diversos sites internacionais já se publicam, mais que uma vez ao dia, notícias sobre os riscos virtuais. As manchetes vão desde novas coberturas, até a falta de capacidade do mercado de suprir a demanda. Procurando informações sobre este novo ramo percebe-se que enfrentaremos um desafio de difícil comparação com outros já enfrentados no mercado de seguro, principalmente por dois fatores: é um risco novo e que cresce em alta velocidade. Ingênuo é aquele que pensa ser algo distante. Os riscos virtuais afetam todas as pessoas e empresas que utilizam equipamentos de informática, conectados à rede ou não. Uma corretora de seguros, por exemplo, armazena em seus equipamentos milhares de informações pessoais de seus clientes. Será que o vazamento indevido destas informações pode gerar prejuízo a este clientes? Neste caso a corretora não pode sofrer uma ação para reparação deste prejuízo? A empresa que administra um hospital pode ser responsabilizada caso uma "queda" do seu sistema gere o agravamento do quadro de algum paciente? A pessoa que tem valores transferidos de sua conta por um hacker poderia contratar um seguro que cobrisse este prejuízo e transferisse (subrogasse) o direito de reclamar ao banco para sua seguradora? A resposta para todas as perguntas é: com certeza! A Hartford Steam Boiler realizou pesquisa durante a "Risk and Insurance Management Society Conference", em San Diego, perguntando a gerentes de riscos presentes quantos ataques ou alertas de ataques de hackers eles sofreram no último ano. Apenas 10% responderam nenhum! Será que seu cliente já sofreu um? Ou será que faz parte dos sortudos 10%?


Este mercado tem inúmeras possibilidades de transferência de riscos e o melhor, ou mais assustador, a cada dia surgem novas situações! Junto com as oportunidades vêm os desafios e, para um risco tão moderno, as seguradoras sofrem com a falta de dados estatísticos. Não existe ainda um modelo de gestão de risco que auxiliem na subscrição destas apólices e consequência disto são as limitações de importâncias seguradas. "Eu acho que é justo dizer que o interesse nos cyberrisks tem crescido além da capacidade" Esta frase, dita por William Boeck, vice presidente da Lockton Cos., traduz o cenário atual do mercado. Muita demanda e pouca oferta. E sabemos o que essa formula significa certo? Preço alto e comissão alta. Essa conversa não acaba por aqui, ainda tenho muito interesse em estudar e divulgar mais informações sobre os cybersrisks e acredito que, sem sombra de dúvidas, este será um dos maiores e mais rentáveis ramos do futuro. Seu cliente já corre o risco, você vai alertá-lo, vai oferecer, quando disponível, a cobertura? Ou vai deixar que outro corretor o faça?

Porque o valor tem que ser a FIPE da data do sinistro?

No último dia 5 de Maio nosso Supremo Tribunal de Justiça, decidiu que um segurado deveria receber o valor da FIPE da data sinistro e não da data da liquidação e esta decisão causou muitas discussões e opiniões no mercado de seguros. Fato é que pouco tem se discutido os motivos da decisão e muito menos se ela pode ser aplicada a todos os casos. Antes de qualquer opinião vamos analisar os fatos da maneira mais simples e clara possível. - O segurado entrou com a ação para receber a diferença de R$ 11.916,72 - Esta diferença se deu entre a diferença do valor FIPE entre Julho(data do sinistro) e Setembro de 2009(data da liquidação). - Inicialmente o segurado perdeu o processo pois o juiz entendeu que a cláusula que prevê a indenização pela FIPE da data da liquidação é clara. - O segurado recorreu da decisão e perdeu novamente pelo mesmo motivo acima. - O segurado recorreu novamente e o STJ decidiu que a seguradora deveria pagar a diferença pois a cláusula usada como fundamento das primeiras decisões era abusiva e valor devido era da data do sinistro. Diversas matérias foram publicadas e muitas dúvidas pairaram sobre esta decisão. Será que agora todos os segurados tem direito à indenização da FIPE da data do sinistro? A decisão deste caso pode ser alterada? As condições gerais devem mudar? A decisão foi acertada mas a fundamentação ainda não abordou a raiz do problema: Quando ocorre a transmissão da propriedade do veículo do segurado para a seguradora? Esta pergunta é fundamental porque se o objetivo do seguro é reestabelecer o patrimônio precisamos saber qual o valor do patrimônio no momento em que a seguradora assume a responsbilidade de indenizar. O mais comum de se pensa é que a propriedade se transfere na assinatura do DUT. Mas pode não ser tão simples assim. Quantos veículos são vendidos e o DUT sequer é preenchido? Ou seja, o DUT não passa de mera formalidade(não que não seja importante). E isso ocorre porque a transmissão da propriedade de bens móveis se dá, conforme o código civil, no momento da TRADIÇÃO (art. 1.267 do Código Civil). Não é a intenção entrar na análise jurídica deste ato chamado tradição mas, em suma, ele é a entrega do bem. Por exemplo, quando se vende um carro para um particular, a propriedade só se transmite com a efetiva entrega do carro, independente das formalidades. E é neste momento, o da entrega, que se dá, também, o ajuste do preço. Não é comum qualquer pessoa comprar um carro e só definir o valor quando for assinar o DUT correto? Neste sentido, o contrato de seguro prevê que, caso ocorra uma perda total, o carro passa a ser da seguradora e o direito à indenização do segurado, e é este o momento do ajuste do preço. Não fazendo sentido o preço ser definido em outro momento se não o momento em que a seguradora passa a ter direitos sobre o bem. Com isso, o momento da entrega do bem é o momento do sinistro, quando ocorreu a condição futura e incerta prevista na apólice. É claro que caso o segurado não exerça seu direito à indenização não haverá a entrega do bem, contudo se assim o fizer, não há que se falar em ajuste de preço indenizatório, sendo inútil esta discussão. O valor da indenização deve ser o do momento do sinistro, pois é o momento em que o bem deixa de integrar a propriedade do segurado e se transformam em um direito á indenização. Tanto assim é, que, salvo engano, as seguradoras fazem a reserva para pagamento de sinistro, sobre o valor da FIPE do mês da ocorrência. Então a decisão do STJ foi errada? Não! A cláusula que estabeleceu que a indenização deve ser a da data da liquidação é abusiva pois gerou uma desvantagem excessiva ao segurado, porém isso se aplicou no caso do julgamento e pode não se aplicar a outros. É claro que o entendimento aqui defendido não será bem vindo pelas seguradoras que hoje tem um volume de pagamento menor, e ainda, caso passem a pagar o valor da FIPE da data do sinistro as taxas tendem a aumentar por uma questão atuarial. Mas o objetivo não é achar a solução que mais beneficia um ou outro, mas sim de achar a solução coerente com nossa legislação. Esta é a minha opinião, o que você acha? Discorde e comente, o mais importante é discutirmos todos os pontos de vista.

O perfil é a chave que falta para a venda online acabar com os corretores

A venda online de seguros tem assustado os corretores de seguros e com razão. Muitos profissionais hoje sustentam suas carteiras com o produto automóvel por uma questão histórica e cultural brasileira. O consumidor, a partir do momento que teve condições de acesso as soluções de seguros, tinha a concepção de que seu bem mais vulnerável era o automóvel, embora isso não fosse verdade. Essa concepção foi fundamentada na criminalidade e na economia baseada na indústria automotiva, e isso fez com que esse fosse o principal produto a ser comercializado pelos pequenos e médios corretores. Fato é que em um universo de corretores que tem o seu sustento no seguro automóvel, qualquer ameaça de invasão deste mercado por alguma empresa com capacidade de atingir um enorme número de clientes torna-se uma grande preocupação. Muitas são as empresas que tem tentado vender online o seguro de automóvel, mas ainda não temos notícia de nenhuma que conseguiu grande sucesso. Entre os fatores estão a confiança que o cliente tem em seu corretor, os altos custos da operação e a desconfiança do consumidor na compra online. Mas estes fatores se sustentarão por quanto tempo? O corretor de seguros construiu ao longo dos tempos um forte elo de confiança com seu cliente, o conhecendo e estando sempre atento às suas necessidades, antecipando situações que poderiam causar uma perda de cobertura ou auxiliando nos processos acessórios que provêm da contratação do seguro como o sinistro, vistorias prévias, assistência 24hrs, entre outros. Isso gerou no cliente o senso de necessidade pelo corretor pelo suporte que ele presta. Não é raro também vermos corretores que atendem a família inteira do cliente, as vezes até se tornando amigo pessoal. Isso é uma vitória do corretor devido ao seu bom atendimento. Mas até quando isso terá valor? Os custos da venda online também tem atrapalhado as empresas que se aventuram neste meio. Nunca tive acesso aos custos de uma operação de venda de seguros online, mas pelo que se ventila no mercado, a parte de software e de estrutura para rodar os sites é bem cara além de gerar um custo de atualização constante, e ainda necessita de uma estrutura física de apoio parruda, pois poucas vendas são feitas exclusivamente online. A pouca conversão de negócios exclusivamente online está ligada com o último fator determinante do fracasso, até o momento, dos sites de venda online de seguro: a desconfiança do consumidor na compra online. O consumidor brasileiro ainda não se adaptou 100% à venda online, ou melhor, a comprar online. Lembro no passado que, quando começou o e-commerce, o principal site era o Submarino e poucas pessoas tinham coragem de comprar. Eu mesmo só comprava livros, de baixo valor e pagava no boleto pra não correr riscos de ter o cartão clonado. Hoje a realidade mudou e muito! Uma prova desta mudança que estamos vivendo é o Uber. Muitas pessoas estão optando por este tipo de serviço e colocando o número do seu cartão antes da compra, algo inconcebível a algum tempo atrás ou para os mais desconfiados. O exemplo do Uber é ainda mais emblemático pois ele traz uma "filosofia online", baseada na facilidade ao cliente. Nele você não precisa digitar seu endereço (pode usar a localização GPS do seu celular), não precisa carregar dinheiro, não precisa se identificar, pois os aplicativos se conversam, ou seja, ele usa as suas informações para te dar conforto e é este conforto que ultrapassa a barreira da desconfiança. Voltando ao seguro, por mais desconfiança que o consumidor tenha na venda online, quando alguém gerar o conforto suficiente, irá ultrapassar essa barreira e ser o Uber dos mercado de seguros, e a chave para isso é simplificar a contratação e, principalmente, o perfil. A parte mais entendiante para um cliente é a resposta das infindáveis perguntas do perfil, quantos de nós já não ouvimos brincadeiras do tipo "e a cor da cueca, não quer saber?". Essa será a pedra fundamental para a venda online decolar: o perfil. Agora o mais alarmante, na minha opnião, não estamos longe disso. Por mais absurdo que seja pensarmos em fazer um seguro sem perfil, já existem empresas com dados suficientes para taxar um seguro sem a necessidade de confirmar o perfil, o que é muito diferente. Pensem bem, não existem empresas hoje que sabem o quanto seu cliente gasta no cartão de crédito? Em quais postos ele abastece? Se ele vai pra balada ou se ele pede uma pizza no sábado a noite? Se ele para em estacionamentos ou na rua? Vou além, não existem empresas hoje que sabem exatamente os trajetos diários do seu cliente pois tem acesso ao GPS do rastreador do carro dele ou mesmo ao celular dele? Com todos estes dados, pra que confirmar perfil? Até quando a confiança no corretor vencerá o conforto oferecido pelas vendas online? Na minha opnião, por algum tempo ainda.